
Pioneirismo marca história da primeira faculdade de medicina do estado de São Paulo
A Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) comemora seu centenário em 19 de dezembro de 2012. E alcança os 100 anos com amplas dimensões, na liderança de um complexo hospitalar em que atuam 18 mil funcionários, equipado com 2.291 leitos e que realiza, anualmente, cerca de um 1,66 milhão de atendimentos ambulatoriais, 514 mil atendimentos de emergência, 82 mil internações, 50 mil cirurgias, 10 mil exames laboratoriais, 1,5 milhão de procedimentos de diagnóstico por imagem, 2.200 transplantes, 37 mil quimioterapias e 20 mil atendimentos no Centro de Atendimento de Intercorrências Oncológicas. Além disso distribui medicamentos a cerca de 1,32 milhão de usuários através de sua farmácia. Os pacientes atendidos vêm de todo o Brasil e muitos, de outros países da América do Sul.
Toda essa assistência é possível porque a FMUSP foi a primeira faculdade de medicina do estado de São Paulo, criada através de um acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a Fundação Rockfeller. Por meio dela, introduziu-se no Brasil o modelo de integração dos conteúdos teóricos e práticos no ensino médico baseado em hospitais universitários, onde são realizadas as aulas práticas associadas a atividades de pesquisa e assistência. Para sua efetivação, o Governo construiu o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, primeiro hospital universitário do país.
O hospital escola é composto por oito Institutos Especializados – Instituto Central do Hospital das Clínicas, Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, Instituto de Medicina Física e Reabilitação, Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas, Instituto do Coração do Hospital das Clínicas; Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Dentro da estrutura da FMUSP também estão dois Hospitais Auxiliares – de Cotoxó e de Suzano –, o Hospital Universitário, o Projeto Região Oeste (Atenção Básica), a Casa da AIDS e um polo de atendimento em Santarém (PA). O modelo introduzido pela FMUSP hoje é adotado em todas as principais faculdades de medicina do Brasil.
A FMUSP é almejada por alunos de todo o país, tanto que no último vestibular (FUVEST 2012) foi uma das carreiras mais concorridas (51,18 candidatos por vaga) e teve a maior nota de corte (73 em 89 questões), o que faz com que seja o principal centro formador de recursos humanos na área médica do Brasil. Possui 368 docentes responsáveis por lecionar aos 1.405 estudantes de graduação, nos cursos de Medicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional e aos 1.430 alunos na pós-graduação estrito senso (mestrado e doutorado). A Faculdade também dispõe do maior programa de residência médica de todo o país, hoje com 1.196 residentes. Ainda mantém cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão.
Apesar de ser apenas uma das 40 unidades de ensino da Universidade de São Paulo, é responsável por cerca de 14% da produção nacional das pesquisas na área médica, 4% de toda a produção científica nacional de todas as áreas (humanidades, biológicas e exatas) e 2,2% de toda a produção da América Latina (também de todas as áreas). As pesquisas são desenvolvidas em seus 62 Laboratórios de Investigação Médica.
Desde sua inauguração, manteve o compromisso com o pioneirismo, excelência no ensino, assistência e pesquisas médicas. Na década de 1950, já foi reconhecida como padrão “A”, conferido pela Associação Médica Americana, o que significava que os médicos formados aqui teriam o mesmo nível daqueles formados nas melhores escolas médicas do mundo.
Ao longo de sua história foi pioneira na implantação de novas técnicas, que representaram avanços científicos na área médica e permitiram salvar milhares de vidas:
Em 2011, passou a ser a primeira escola médica da América do Sul a integrar a M8 Alliance, uma rede global de instituições acadêmicas de excelência em ensino e pesquisa que auxilia tomadores de decisão na área política, econômica e da sociedade civil a desenvolver soluções baseadas na ciência para a melhoria da qualidade de vida nos cinco continentes.
A sede atual da FMUSP, inaugurada em 1931, é um prédio tombado e foi restaurado nos últimos anos para modernizar suas instalações sem perder suas características originais. Em 1934, passou a integrar a Universidade de São Paulo e sediou a primeira reunião do Conselho Universitário da então nova instituição pública de ensino superior.
Fizeram parte de seu quadro docente personalidades como Arnaldo Vieira de Carvalho (seu fundador), Alfonso Bovero, Benedicto Montenegro, Alípio Corrêa Neto, Euryclides de Jesus Zerbini, Adib Jatene, Henrique Walter Pinotti, Jose Aristodemo Pinotti, Angelita Habr-Gama, Silvano Raia e Carlos da Silva Lacaz.
Entre os diversos alunos (graduação, residência e pós) que se destacaram em outras instituições estão Miguel Nicolelis, Paulo Vanzolini, Drauzio Varela, Jairo Bouer e Alexandre Padilha.